IMIGRAÇÃO – PROBLEMAS E POSSIVEIS SOLUÇÕES
Há vários anos que milhares de imigrantes arriscam a vida ao atravessar o mediterrânio e muitos acabam por morrer sem conseguir cumprir os seus objetivos.
Estes dias assistimos em Ceuta – Marrocos, a mais uma tentativa de alcançar a europa através de Ceuta que pertence à Espanha.
As cenas a que frequentemente assistimos na travessia do mediterrânio, devem deixar-nos envergonhados pela situação em que se encontram os povos africanos por até hoje não sermos capazes de lhes fornecer alternativas futuras.
Pergunto-me muitas vezes porquê que tantos jovens e famílias inteiras correm tantos riscos na busca de um futuro melhor. O que se passa então nos seus países de origem que não lhes permite sonhar com uma vida digna? :
1 – CAUSAS
Com exceção dos imigrantes oriundos do Paquistão, Afeganistão e Bangladesh os restantes são na sua maioria africanos. O que se passa então em Africa que está a provocar essa imigração em massa da sua população jovem?
Na. Africa, em média, o índice de natalidade é de 4 a 6 filhos por mulher o que conduz a um crescimento médio anual entre 46 a 48 milhões de habitantes. Com esta perspetiva de crescimento humano em África, perguntamo-nos como é possível controlar a imigração africana, quando por apenas a Espanha aceitar legalizar 500 000 refugiados, toda a Europa se escandalizou.
O principal problema que os africanos enfrentam é de alem da sua divisão geopolítica ter sido feita sem levar em conta as características culturais das suas populações, o que dificulta a sua integração, é o seu atual nível de desenvolvimento.
2 – SOLUÇÕES
O desenvolvimento no que diz respeito a infraestruturas, educação e saúde é precário não permitindo o necessário desenvolvimento económico capaz de fixar o elevado crescimento populacional.
É de referir, que uma grelha primária de infraestruturas, já foi desenhada e aprovada pelos órgãos competentes da União Africana, com o apoio do Banco Africano de Desenvolvimento.
Essa rede primária de infraestruturas existente somente no papel, só poderá ser construída com fundos públicos provenientes dos países desenvolvidos, dado o Banco Africano de Desenvolvimento não possuir os recursos necessários.
Após a construção da rede primária, poder-se-á dar início às redes complementares, para as quais o investimento privado já nos parece ser possível. Só com essa rede complementar conectando os principais centros é que será possível o desenvolvimento integrado das atividades económicas, a geração de emprego e fixação das populações nos seus países de origem.
É a partir desta fase de desenvolvimento, que as organizações regionais já estabelecidas, Central África Económic and Monetary Community (CEMAC), East África Community (EAC) ,
West África States (ECOWAS), South African Development Community (SADC), algumas delas já num estágio de desenvolvimento bastante avançado, podem promover e atrair o investimento privado, de forma a criar um clima próprio ao desenvolvimento económico sustentado.
2.1 – Integração Africana
As Nações Unidas, a União Africana, o Banco Mundial e o Banco Africano de Desenvolvimento têm vindo a fazer esforços significativos na integração africana, com programas globais ou regionais, de forma a incentivar a cooperação entre os vários países e regiões. Contudo, ainda existem muitos problemas quer internos quer externos entre vários os países africanos, que só com a interajuda e vontade política dos líderes africanos, poderão ser ultrapassados. Para o sucesso dessa integração a nível continental e regional, para além da vontade política, é necessário que haja o investimento necessário ao desenvolvimento africano. Estima-se ser necessário investir cerca de 90 000 milhões de dólares todos os anos até ao final 2040, para que África, como um todo, atinja um nível de desenvolvimento próximo do que se pode considerar um continente desenvolvido.
Pergunto, será isso possível?
Acredito que sim. Está na hora de olharmos para o desenvolvimento sustentado de África. De todos os continentes, África é o que apresenta os piores índices de desenvolvimento e que apresenta uma das maiores taxas de natalidade. É necessário trazer os índices de desenvolvimento africano aos níveis dos países desenvolvidos e com isso permitir que a sua população se consolide nos locais de origem. Só assim será possível suster a leva de migração, cujas medidas em curso para esse efeito, só envergonham a Europa, onde os valores de solidariedade e direitos humanos estão sendo postos em causa todos os dias. Acredito que em todas as crises, existem oportunidades a serem exploradas.
Esta, é oportunidade de África se desenvolver.

Francisco Lourenço Pimenta
Associado AACDN: 1156/18
Engº. Civil pela Universidade do Porto, Master of Science in
Concrete Structures and Technology, Imperial College –
Universidade de Londres, D.I.C. Imperial College –
Universidade de Londres

