O mundo está em alvoroço. Imensos são os conflitos entre povos. A utilização de microrganismos como vírus, bactérias ou fungos, ou ainda substâncias tóxicas, produzidas e libertadas deliberadamente para causar doenças e morte em humanos, animais ou culturas agrícolas, com potencial de causar, pânico social e colapso dos serviços de saúde, denomina-se por Bioterrorismo (OMS, 2026). Este tipo de terrorismo constitui uma ameaça crescente à saúde pública global, exigindo respostas rápidas, coordenadas e eficazes por parte dos sistemas de saúde (OMS, 2012).
No entanto, um caso de Bioterrorismo pode ter o desencadear idêntico a uma situação de um surto, numa fase inicial e pode evoluir para uma pandemia, portanto sendo ambas emergências em Saúde Pública, o que diferencia é que no caso do Bioterrorismo sabe-se que é algo que foi provocado intencionalmente, sendo considerado um crime.
Segundo a OMS (2012), há dificuldade em compreender a forma como estas doenças surgem e são transmitidas, o que dificulta a realização de uma deteção precoce, responder e limitar o seu impacto. Mais recentemente é exemplo a pandemia COVID 19, provocada por um vírus conhecido anteriormente e que após mutação, rapidamente se propagou pelo mundo e com elevada gravidade.
Este tipo de pandemia pode ser considerada uma ameaça Nuclear, Radiológica, Biológica e Química (NRBQ), considerada um evento de alto impacto e, como tal, provocou uma devastação global.
Este evento representa uma ameaça significativa à Saúde Pública, exigindo respostas rápidas, coordenadas e baseadas em informação confiável. Em cenários desta natureza, a atuação eficaz dos serviços de saúde depende diretamente da forma como a informação é comunicada aos profissionais de saúde envolvidos na resposta à emergência, não descurando a população, em geral.
Os profissionais de saúde desempenham um papel fulcral na deteção precoce, resposta e mitigação de eventos de Bioterrorismo. Neste contexto, a comunicação como refere a OMS (2012), é fundamental pois é um processo que promove o diálogo entre todas as pessoas envolvidos na prevenção e resposta a surtos, tendo como foco as comunidades afetadas e as pessoas em risco.
Nesse contexto, torna-se fundamental analisar as estratégias de comunicação a utilizar para comunicar cenários de Bioterrorismo aos profissionais de saúde, contribuindo assim para o fortalecimento da preparação institucional, da segurança dos profissionais e da resposta em Saúde Pública. A sensibilização e a educação são essenciais para promover a resiliência contra as ameaças. As pessoas mais bem informada estão melhor preparadas para responder a emergências, seguir protocolos de segurança e apoiar os esforços de mitigação (Francesco Marelli, 2025).
A capacidade de informar precocemente, atualizar os profissionais de saúde de forma contínua e comunicar com a população de maneira empática e transparente contribui decisivamente para a redução do impacto social e sanitário de uma ameaça biológica.
Um plano robusto de comunicação de crise na área da saúde é essencial para garantir o cumprimento das normas e salvaguardar o “bem-estar” dos profissionais de saúde (LLC, 2025).
Melhorar a comunicação com as autoridades governamentais e com os OCS, ajuda as autoridades de saúde a melhorar as suas capacidades de comunicação em situações de crise, as suas competências para evitar falhas de comunicação ou mensagens contraditórias e, por sua vez, fortalecer coletivamente a sociedade no combate e controlo da pandemia (Su, 2022).
Em suma a comunicação em situações de possível ataque de Bioterrorismo deve ser entendido como uma intervenção de saúde pública, com a capacidade de mitigar danos, orientar decisões clínicas e reduzir o impacto psicológico e social da ameaça. Investir em estratégias comunicacionais integradas, baseadas em evidência científica e adaptada aos contextos nacionais, constitui um elemento fundamental para o fortalecimento da resiliência institucional e social face a riscos biológicos emergentes.
Convém salvaguardar, que o risco do terrorismo é real, é imediato e está a evoluir, particularmente na situação geopolítica que nos encontramos.
Palavras-chave: Bioterrorismo, Comunicação, Saúde, Emergência, Crise
Referências:
Francesco Marelli, e. a. (2025). TOOLKIT on effective CBRN planning and response for policymakers and CBRN managers.
LLC, R. C. (2025). 7 Key Elements of an Effective healthcare Crisis Communication Plan. Retrieved 02-02-2026 from https://riddlecompliance.com/7-key-elements-of-an-effective-healthcare-crisiscommunication-plan/
OMS, O. M. d. S. (2012). Communication For Behavioural Impact (COMBI)
OMS, O. M. d. S. (2026). Biological weapons. Retrieved 18-01-2026 from https://www.who.int/healthtopics/biological-weapons#tab=tab_1
Su, Z. (2022). Crisis communication strategies for health officials. Frontiers Public Health, 10, 10.
https://doi.org/https://doi.org/10.3389/fpubh.2022.796572

Doutora Gisélia Braga
Auditora do 49ºCDN

