AACDN 2026 – 45 anos por Portugal

AACDN 2026
45 anos por Portugal

Estimados Associados,
Há datas que assinalam a passagem do tempo. E há datas que nos convidam a pensar no sentido do caminho que percorremos e na responsabilidade do caminho que temos pela frente. O Dia da Associação de Auditores dos Cursos de Defesa Nacional deve ser uma dessas datas.

É o momento para celebrar a nossa Associação, e para reafirmar uma convicção: a segurança e defesa nacional é demasiado importante para ser apenas uma preocupação dos especialistas. É uma responsabilidade de todos os cidadãos. É esta convicção que nos une. É esta consciência que dá sentido à AACDN. E é esta missão que nos deve orientar, sobretudo num tempo em que a paz deixou de poder ser encarada como uma certeza, a segurança deixou de poder ser tomada como garantida e a liberdade voltou a revelar toda a sua vulnerabilidade.

A guerra regressou ao coração da Europa. A competição entre potências intensificou-se. As ameaças híbridas, a desinformação, os ciberataques e as novas tecnologias estão a transformar a forma como se exerce o poder, se alimenta a dissuasão e se faz a guerra. As fronteiras entre segurança interna e externa tornam-se mais ténues, enquanto a resiliência das sociedades e a capacidade de decisão dos Estados são postas à prova.

Neste contexto, Portugal tem de compreender, antecipar e agir. E ter instituições preparadas, responsáveis esclarecidos e cidadãos conscientes de que a soberania não é uma palavra abstrata: é a capacidade de decidirmos livremente o nosso destino. A soberania defende-se com capacidades, mas também com conhecimento. A liberdade protege-se com instituições, mas também com cidadania. E a paz preserva-se não ignorando os riscos, mas preparando-nos para os enfrentar.

É neste espaço global de responsabilidade que a AACDN tem o seu lugar.
Não somos uma instituição militar, nem pretendemos substituir-nos às entidades que têm responsabilidades constitucionais na defesa nacional. Somos uma associação de cidadãos que reconhece o valor estratégico do conhecimento, da formação, do debate plural e da participação cívica. A nossa força reside precisamente nessa capacidade de reunir experiências, profissões e perspetivas diferentes em torno de um interesse comum: Portugal.

E a nossa ambição deve ser proporcional à importância desse desígnio.
Não queremos ser apenas uma Associação que acompanha os acontecimentos. Queremos ser uma Associação que ajuda a compreendê-los. Não queremos apenas discutir os desafios do presente. Queremos contribuir para debater as respostas do futuro.

É com este espírito que foi apresentado na sede da AACDN no dia 22, o ‘Livro de Atas do Congresso da AACDN de 2024’. O Senhor General João Vieira Borges, numa intervenção magnífica, mostrou que esta obra guarda muito mais do que palavras: guarda ideias, interrogações, experiências e contributos que merecem sobreviver ao momento em que foram produzidos. E comparou o ‘estado da arte’ em 2024 com o momento atual. Uma intervenção que dignifica os 45 anos de história da nossa Associação.

Um congresso não se esgota no encerramento dos trabalhos. Se as ideias discutidas não forem preservadas, partilhadas e colocadas à disposição de outros, uma parte importante do seu valor perde-se. Ao publicarmos estas Atas, afirmamos que o conhecimento não deve ser efémero e que a reflexão sobre a segurança e defesa nacional merece continuidade, rigor e memória. Esta obra constitui um legado para os associados, para os investigadores, para os responsáveis institucionais e para todos os que procuram compreender melhor os desafios que Portugal enfrenta.

Quero deixar uma palavra de gratidão a todos os que tornaram possível o Congresso e a publicação deste livro: aos oradores, moderadores, congressistas, membros das comissões, direção da AACDN, patrocinadores e a todos os que contribuíram com o seu trabalho, muitas vezes discreto, mas absolutamente indispensável. Este resultado pertence a todos. Deixo um agradecimento muito especial aos Senhores Generais João Vieira Borges e Francisco Xavier de Sousa, verdadeiros timoneiros nesta importante caminhada.

E há uma mensagem que gostaria de sublinhar: uma Associação demonstra a sua maturidade não apenas pela capacidade de organizar iniciativas, mas também pela capacidade de transformar o trabalho realizado em conhecimento que fica e em valor que permanece. É isso que também celebramos, nos 45 anos da AACDN.

Caros Associados,

Outro momento particularmente significativo desta comemoração é a distinção de associados que há vários anos estão na AACDN. Permitam-me que seja muito claro: nenhuma associação se constrói apenas com estatutos, direções ou programas de atividades. Constrói-se com pessoas. Com a sua disponibilidade, a sua lealdade, a sua participação e a sua persistência. As instituições têm uma história. Mas são as pessoas que lhes dão alma.
Permanecer numa associação ao longo dos anos significa acreditar que vale a pena continuar. Significa reconhecer que o compromisso coletivo não perde valor com o tempo. E significa, também, compreender que aquilo que recebemos de uma instituição nos cria a responsabilidade de contribuir para que ela continue a existir, a crescer e a cumprir a sua missão.
Aos associados que distinguimos e a todos, todos os nossos associados, quero transmitir, em nome da Direção, o nosso profundo reconhecimento e gratidão.
A vossa ligação à AACDN faz parte da história que hoje celebramos. O vosso exemplo recorda-nos que a continuidade é um valor e que o associativismo se alimenta de confiança, de compromisso e de sentido de pertença.
Hoje não distinguimos apenas o tempo que passaram connosco. Distinguimos aquilo que esse tempo representa: dedicação, perseverança a um projeto e contributo para uma causa comum. Muito obrigado por fazerem parte desta história.

Prezados Associados,

Presidir à AACDN é uma honra, mas é também uma responsabilidade que assumo com a consciência de que nenhuma direção é proprietária da Associação. Cada direção recebe um património construído por outros e tem o dever de o preservar, valorizar e transmitir, se possível, ainda mais forte a quem vier a seguir. É essa a nossa obrigação.

Queremos uma AACDN participativa, dinâmica e interventiva. Uma Associação que valorize os seus associados, promova o diálogo entre gerações, estabeleça pontes com outras instituições e contribua para que os temas da segurança e da defesa ocupem o lugar que merecem na consciência coletiva dos portugueses.
Temos história. Temos experiência. Temos conhecimento. E temos, sobretudo, uma responsabilidade perante o País.
O futuro não se constrói apenas com boas intenções. Constrói-se com trabalho, exigência, coragem e capacidade de transformar convicções em ação.
Por isso, nos 45 anos da AACDN, deixo-vos um desafio: que não nos falte a vontade de participar, a coragem de pensar criticamente, a disponibilidade para servir e a determinação de fazer mais e melhor.
Porque Portugal precisa de cidadãos que não sejam indiferentes ao seu destino. Precisa de uma sociedade que compreenda que a defesa da democracia, da liberdade e da soberania exige compromisso permanente. E precisa de associações que saibam transformar conhecimento em cidadania e cidadania em responsabilidade.
Que a AACDN continue a ser uma casa de conhecimento, um espaço de liberdade, uma comunidade de compromisso e uma voz ao serviço de Portugal.
Que saibamos honrar aqueles que construíram esta história, reconhecer os que hoje a mantêm viva e mobilizar os que amanhã lhe darão continuidade.
E que nunca percamos de vista o essencial: a segurança e defesa nacional não é apenas a defesa de um território. É a defesa de um povo, da sua liberdade, da sua democracia, da sua identidade e do direito de escolher o seu próprio futuro.
É por isso que todos estamos aqui. É por isso que vale a pena continuarmos.
Muito obrigado a todos.

Viva a Associação de Auditores dos Cursos de Defesa Nacional! Viva Portugal!

Miguel Guimarães

Lisboa 21 e 22 de outubro de 2026.

 

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