A capacidade de transformar o conhecimento em inovação e a inovação nos processos e na organização do trabalho, é sem dúvida, o fenómeno deste início de século e em acrescida aceleração através da utilização da inteligência artificial, das plataformas digitais a da escala consequente da geoeconomia digital e da tecnologia quântica.
A geoeconomia contemporânea é um facto, está baseada na economia digital e as plataformas são o modelo de negócios dominante. As maiores plataformas digitais aumentaram o seu valor para 22,7 biliões de dólares com os Estados Unidos da América a elevarem a sua participação no mercado global para 86% em finais de 2025 (em 2017 a participação americana era de 64% e em 2021 foi de 67%). O resto do mundo a ficar para trás incluindo Ásia e Pacífico impulsionada pela China que detinha 31% das plataformas digitais em 2017, principalmente devido à forte posição da Alibaba e da Tencent e em 2025 representa apenas 11%, uma descida que vinha a ocorrer desde 2021 apresentando uma posição mundial nesse ano de 29%.
A cultura orientada para escalar esta invenção e transformá-la num modo de vida está sediada nos Estados Unidos, que conseguem reutilizar três vezes mais rapidamente invenções originadas noutros pontos do globo, como por exemplo a Índia, do que a própria Índia.
A digitalização acelerada das últimas décadas transformou profundamente o quotidiano dos jovens e, consequentemente, a forma como estes constroem competências essenciais para o século XXI. O acesso precoce a dispositivos móveis, a navegação constante na internet e a interação contínua em plataformas digitais influenciam não só o desenvolvimento cognitivo e emocional, mas também as expectativas e requisitos do mundo do trabalho.
Este é o tema da nossa atual vivência e está em cima das secretárias de todas as organizações, é um tema de todas as famílias, de toda a economia pelo impacto que já está a trazer ao mundo do trabalho é, por isso, um tema da nossa sociedade contemporânea, que passo a passo foi tomando expressão com a IV Revolução Industrial e teve a sua grande explosão, na prática dos utilizadores, com a pandemia-Covid-19, em 2020.
A literacia digital, a adaptabilidade tecnológica e a comunicação virtual são hoje competências críticas em praticamente todos os setores. Ao mesmo tempo, surgem desafios relacionados com a saúde mental, a autorregulação e o equilíbrio digital, que podem afetar negativamente a produtividade e o bem-estar dos futuros profissionais.
Neste contexto, compreender o perfil digital dos jovens é essencial para desenvolver políticas públicas, estratégias de liderança e programas educativos alinhados com estas necessidades emergentes.
Com a finalidade e com um propósito científico e pedagógico a NexDigital – Instituto do Bem Estar Digital realizou um estudo, aplicado a jovens entre os 10 e os 23 anos, que permitiu compreender como os hábitos digitais, as experiências online e os padrões de comportamento contribuem para a construção do novo perfil dos jovens e os seus impactos no futuro do trabalho.
Os resultados sugerem que os jovens desenvolvem competências digitais avançadas e elevada literacia tecnológica e autonomia tecnológica. Enfrentam também riscos como fadiga digital, dificuldades de autorregulação e privação de sono, dores físicas associadas ao uso prolongado de ecrãs e exposição a experiências negativas online — fatores que podem influenciar o seu futuro desempenho profissional e a convivência saudável e consciente com o mundo digital, o que vai exigir novos modelos de trabalho nas organizações e uma profunda transformação nas relações laborais.
Só de forma realista, consciente e construtiva poderemos agir eficazmente sobre estas realidades para uma transição laboral humana e saudável, em que as qualidades insubstituíveis como a criatividade e a intuição chão a chave de ouro no mundo digital.
Alienarmo-nos deste presente emergente é talvez atrasar um futuro que procuramos e como disse o Secretário-Geral das Nações Unidas: “Não podemos criar um futuro adequado para os nossos netos, com um sistema construído pelos nossos avós”.

1 Professora Doutora Ana Harfouche
Administradora Hospitalar, Investigadora e Professora Universitária
Especialista em Sustentabilidade/ESG
Fundadora da NexDigital
Auditora de Defesa Nacional

