Caras e Caros Associados,
Celebramos hoje o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.
É uma data que nos convoca à reflexão sobre aquilo que fomos, aquilo que somos e, sobretudo, aquilo que desejamos ser enquanto Nação. Mais do que uma efeméride, o 10 de Junho representa um momento de reafirmação da identidade nacional, da memória coletiva e dos valores que sustentam a nossa comunidade política.
Ao longo de quase nove séculos de história, Portugal afirmou-se como um país capaz de superar adversidades, de vencer limitações geográficas e materiais e de construir uma presença singular no mundo. A nossa história não é apenas a história de um território europeu voltado para o Atlântico; é também a história de um povo que soube transformar desafios em oportunidades e que fez da abertura ao mundo uma das suas características mais distintivas.
Hoje, quando observamos a crescente instabilidade internacional, os conflitos armados que persistem em várias regiões do globo, as ameaças híbridas, os riscos cibernéticos, as pressões migratórias, as tensões geopolíticas entre grandes potências e os desafios colocados pelas transformações tecnológicas, compreendemos ainda melhor a importância de preservar e fortalecer os pilares fundamentais do Estado democrático.
Vivemos um tempo marcado pela incerteza.
A ordem internacional que emergiu após o final da Guerra Fria encontra-se em profunda transformação. O regresso da competição estratégica entre Estados, a fragmentação dos centros de poder, a erosão de algumas instituições multilaterais e a crescente volatilidade dos equilíbrios globais colocam desafios sem precedentes às sociedades democráticas.
Portugal não está imune a esta realidade.
Pelo contrário, a sua posição geográfica, a sua dimensão atlântica, a sua pertença à União Europeia e à Aliança Atlântica, bem como os seus laços históricos com múltiplas regiões do mundo, conferem-lhe responsabilidades acrescidas num contexto internacional cada vez mais complexo.
Neste quadro, ganha renovada relevância o conceito de Defesa Nacional.
A defesa de um país não se esgota na dimensão militar, embora esta permaneça absolutamente essencial. A defesa nacional é hoje um conceito abrangente, que envolve a proteção das instituições democráticas, a resiliência das infraestruturas críticas, a segurança energética, a capacidade tecnológica, a robustez económica, a coesão social e a preservação dos valores que definem a nossa identidade coletiva.
Defender Portugal é, cada vez mais, uma responsabilidade partilhada.
Uma responsabilidade que exige conhecimento, participação cívica, cultura estratégica e consciência dos riscos e oportunidades que caracterizam o nosso tempo.
É precisamente neste contexto que a missão da Associação dos Auditores dos Cursos de Defesa Nacional assume uma importância particular.
Ao longo dos anos, a AACDN tem constituído um espaço privilegiado de reflexão, debate e promoção da cultura de defesa. Tem reunido cidadãos provenientes dos mais diversos setores da sociedade portuguesa, unidos pela convicção de que a segurança e a defesa são matérias que dizem respeito a todos e não apenas a alguns.
A nossa Associação representa um património humano e intelectual de enorme valor.
Nela encontramos homens e mulheres com percursos distintos, experiências complementares e um compromisso comum com Portugal. Essa diversidade constitui uma das maiores forças da AACDN e um exemplo daquilo que deve ser uma sociedade democrática: plural, participativa e orientada para o bem comum.
Num período em que tantas vezes prevalecem a polarização, a simplificação excessiva dos problemas e a fragmentação do espaço público, importa valorizar instituições e organizações que promovem o diálogo informado, o pensamento crítico e a procura de consensos estratégicos.
A defesa nacional necessita precisamente dessa capacidade de olhar para além do imediato.
Necessita de visão de longo prazo.
Necessita de cidadãos preparados para compreender a complexidade do mundo contemporâneo.
Necessita de lideranças capazes de antecipar desafios, mobilizar vontades e construir reformas.
Necessita de uma sociedade consciente de que a liberdade, a segurança e a paz não são bens adquiridos para sempre, mas conquistas que exigem vigilância permanente.
Ao celebrarmos o Dia de Portugal, devemos igualmente recordar os milhares de portugueses que vivem e trabalham fora do território nacional.
As Comunidades Portuguesas constituem uma extensão viva da nossa Nação.
São embaixadoras da língua, da cultura, dos valores e da capacidade de trabalho dos portugueses. Contribuem para afirmar Portugal nos cinco continentes e representam uma das mais importantes dimensões da nossa projeção internacional.
Também elas participam, à sua maneira, na construção da relevância estratégica do nosso país.
Neste dia, prestamos igualmente homenagem às Forças Armadas Portuguesas e a todos aqueles que, ao longo da nossa história, serviram Portugal em missões de defesa, segurança e paz.
O seu profissionalismo, dedicação e espírito de serviço constituem motivo de orgulho nacional.
Num contexto internacional particularmente exigente, importa reconhecer o papel insubstituível das Forças Armadas na salvaguarda da soberania nacional, no cumprimento dos compromissos internacionais assumidos por Portugal e na proteção dos cidadãos.
Mas importa também reconhecer que a defesa da Pátria começa muito antes de qualquer ameaça se materializar.
Começa na educação dos jovens.
Começa na qualidade das instituições.
Começa na capacidade de gerar conhecimento e inovação.
Começa na valorização da ciência, da cultura e da cidadania.
Começa na construção de uma sociedade mais coesa, mais resiliente e mais preparada para enfrentar os desafios do futuro.
Caras e Caros Associados,
O legado que recebemos das gerações que nos antecederam impõe-nos responsabilidades.
Temos o dever de preservar a liberdade que herdámos.
Temos o dever de fortalecer a democracia que construímos.
Temos o dever de preparar Portugal para os desafios que se avizinham.
E temos o dever de transmitir às gerações futuras um país mais forte, mais seguro e mais capaz de afirmar os seus interesses num mundo em mudança.
A melhor forma de homenagearmos Portugal neste 10 de Junho é continuarmos a servir o interesse nacional, cada um no âmbito das suas responsabilidades, mas todos unidos pelo mesmo compromisso cívico.
Que este Dia de Portugal seja, por isso, uma ocasião para renovar a confiança no futuro, reforçar o sentido de pertença à comunidade nacional e aprofundar a consciência de que a defesa dos valores democráticos, da liberdade e da soberania continua a ser uma missão permanente.
Em nome da Direção da Associação dos Auditores dos Cursos de Defesa Nacional, endereço a todos os associados e respetivas famílias uma saudação muito calorosa neste Dia de Portugal.
Que o orgulho na nossa História nos inspire.
Que a consciência dos desafios do presente nos mobilize.
E que a confiança no futuro de Portugal nos una.
Viva Portugal.
Miguel Guimarães
Presidente da Associação de Auditores dos Cursos de Defesa Nacional

